Apka Associação Paulista de Kart Amador, clube do 13hp, venha correr de kart.

Em minha palestra “Tudo bem, se me convém”, conto que quando criança, lá por 1964, aprendi que o Brasil era a oitava economia do planeta. Oitava, que orgulho! A China era um país miserável, o Japão ainda estava se recuperando da destruição da II Guerra e Inglaterra e França eram potências indiscutíveis. E o Brasil… Bem, o Brasil era o gigante deitado eternamente em berço esplêndido. Mas era a oitava!

No começo de 2012 fomos surpreendidos com a notícia de que nos transformamos na sexta economia do planeta. E dá-lhe festa, com as declarações entusiasmadas dos de sempre.

O Brasil é um organismo vivo, composto de um território com mais de oito milhões de quilômetros quadrados, uma população de cerca de 200 milhões de pessoas, flora, fauna e acidentes geográficos e meteorológicos. A interação desses elementos entre si e com os elementos que compõem os outros organismos (países) é que define o que o Brasil é. Mas essas interações são extremamente complexas, sujeitas a “humores” e imprevisibilidades que tornam praticamente impossível prever como as coisas vão acontecer. E já que não dá para fazer uma leitura completa desse organismo, agimos como fomos treinados, traduzindo a realidade em números: quanta gente temos, quanto dinheiro ganhamos, quanto gastamos, quantos pobres, quantos ricos, e assim vamos. Uma dessas medidas chamamos de PIB – produto interno bruto, a expressão em valores monetários da soma de todos os bens e serviços produzidos num período. O PIB é uma medida universal com  a qual comparamos os países. Ou os organismos. Mas é uma comparação quantitativa, nunca qualitativa, que trata um lutador de sumô exatamente como trata um peso pena…

É no PIB que somos o sexto maior do mundo!

Mas o que significa ser o sexto? Ou o quinto? O quarto? O que é afinal esse ranking que mede as maiores economias? Bem, é só isso: um ranking. Ele quantifica, não qualifica. O Brasil é a sexta maior economia do mundo, não é a sexta melhor economia do mundo, o que se reflete na medição do IDH – Índice de Desenvolvimento Humano, que nos coloca em 84ª. posição, atrás de Equador, Peru, Jamaica, Venezuela, Uruguai, Cuba e outras grandes potências.

Mas, repito, somos um organismo complexo. Fazer uma festa por causa do coração que está muito bem, sem considerar o fígado, o pulmão, os intestinos, o estômago, os rins, o cérebro, é uma estupidez. Nosso “órgão” educação está falido. O “órgão” saúde está muito mal. O “órgão” segurança parou de funcionar. O “órgão” infraestrutura está atrofiado. E assim vamos. Ter o sexto maior coração num organismo repleto de órgãos problemáticos significa o quê? Que existe um órgão grande dentro de um organismo doente. Nada mais que isso.

O sexto melhor dá a medida da qualidade, o sexto maior dá a medida da quantidade.

E 50 anos atrás também aprendi que tamanho não é documento.

Luciano Pires

Luciano Pires - divulgação

Discussão Nenhum comentário

Os Comentários estão fechados

Mais Notícias

As matérias que publicamos vêm com suas fontes especificadas, de modo que não nos responsabilizamos por seu conteúdo ou por conseqüências provenientes das informações contidas nas mesmas