FONTE: AUTOentusiastas
Postado por Roberto Agresti
Por cerca de 1,2 bilhão de euros a família Bonomi, dona da Ducati, venderia a prestigiada marca de motos superesportivas: essa é a notícia mais forte desses últimos tempos envolvendo marcas de motos que podem mudar de dono.
Os Bonomi querem vender porque, dizem, a marca para crescer precisa de investimentos fortes que apenas um grande grupo industrial poderia fazer. Donos da Investindustrial Holdings, que não tem na indústria mas sim nas finanças sua especialização, a família na verdade segue a cartilha do capitalismo mais básico, tendo comprado a marca de Bolonha “na baixa”, em 2006, investido e triplicado o seu valor de mercado nesse período.
Sem nenhum particular amor à marca “rossa”, os Bonomi querem – como se usa dizer no mercado financeiro – “realizar”, vender enquanto sabem que terão bom lucro já que, como se sabe, não são exatamente bons os ventos que sopram na Europa, especialmente na Itália, e idem no mercado de motos esportivas que é o filão principal da Ducati. Diga- se de passagem que em 2011, apesar da crise, a Ducati bateu seu recorde histórico de produção, desovando 42 mil motos (apesar do fracasso na MotoGP com Valentino Rossi, compensado pelo título no Mundial da SBK (Superbike) com Carlos Checa.
Entre os candidatos principais à aquisição foram citados o Grupo Volkswagen, a indiana Mahindra e a BMW. Todos fortíssimos industrialmente falando. Mas é claro que se aparecer um grupo financeiro, ou fundo de investimento pagando o tal 1,2 bilhão, os Bonomi vendem.
Um palpite? Quem vai “papar” a Ducati será a Volkswagen e a razão é a há tempos anunciada intenção do grupo alemão em agregar uma marca de motos ao “barraco”. E mais: Ferdinand Piëch, que foi o principal executivo do grupo e ainda é presidente do conselho, é um amante de motos esportivas, particularmente…as Ducati! Em 2005 revelou ter se arrependido em não comprar a marca no lugar dos Bonomi. Quem sabe agora não seja a hora?
De caráter controverso (12 filhos de quatro casamentos diferentes, ateu, disléxico e com fama de demitir executivos como quem troca de cueca), Piëch é neto de Ferdinand Porsche e foi na marca fundada pelo avô que começou sua carreira. Engenheiro, tem no seu currículo colocar a Audi no lugar que ela se encontra hoje, brigando com BMW e Mercedes-Benz. Tem um Bugatti Veyron na garagem e “sangue nos olhos” apesar dos 74 anos de idade.
Se a VW der tal passo e ingressar no mundo das motos, deverá se espelhar no que fez a BMW com a Husqvarna: a marca – sueca de origem – mas italiana de fato desde seu renascimento nos anos 90, mantave todo seu staff e instalações no país da bota, desfrutando apenas das evidentes sinergias técnicas com a marca de Munique. Certamente a Volkswagen ou qualquer outro grupo que venha a adquiri-la sabe que as Ducati tem de nascer em Bolonha assim como os Ferrari em Maranello…




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