
Fabiana comemora recorde mundial - foto Agência Estado/AP / divulgação
Fabiana Murer cresceu demais, trocou de esporte há 13 anos e, hoje, é a primeira medalhista de ouro em Mundiais do atletismo brasileiro
São Paulo – A estatura elevada tirou a menina Fabiana Murer da ginástica artística e a colocou no atletismo. Fabiana nasceu em Campinas, em 16 de março de 1981. Praticava ginástica, mas cresceu demais para prosseguir no esporte de atletas pequenas. Sem medo de encarar acrobacias por causa da formação na ginástica, Fabiana começou no salto com vara com o técnico Elson Miranda, ele também um ex-saltador, em 1997, aos 16 anos – em 1988, sua melhor marca foi 3,66 m. Construiu toda sua carreira no Clube de Atletismo BM&FBovespa, em São Paulo. Fabiana não sabia, quando fez essa opção, há 13 anos, que caberia a ela ganhar a primeira medalha de ouro feminina do atletismo brasileiro em um Mundial, feito que conquistou neste domingo no Mundial Indoor de Doha, Catar, com 4,80 m.
Em 2001, por iniciativa do técnico Elson Miranda, que buscava evoluir com seus atletas na prova, Fabiana e os companheiros do salto com vara fizeram o primeiro contato com o ucraniano Vitaly Petrov, que trabalhava na Itália e era conhecido no mundo todo como técnico do mito Serguei Bubka, recordista mundial (6,14 m) há 15 anos. O início do trabalho com Petrov não foi fácil para Fabiana. “Foi difícil assimilar a nova técnica, a nova escola do salto. E os resultados nos primeiros anos até pioraram. Foi preciso paciência para a Fabiana assimilar a técnica. Mas hoje, até o Petrov acha que ela é uma das saltadoras mais técnicas do mundo”, conta Elson, de 45 anos, que tem o mérito de formar e manter a parceria com Petrov há oito anos e de trabalhar bem duro no Brasil numa prova que é muito difícil e tem diversas peculiaridades.
Fabiana, de 1,72 m e 57 kg, formada em fisioterapia, insistiu, trabalhou duro e disputou o seu primeiro Mundial em 2005, em Helsinque, Finlândia. Na Vila dos Atletas conheceu a russa Yelena Isinbayeva, a quem presenteou com um chaveiro – tinha o design estilizado de uma atleta do salto com vara. Em Helsinque, restou a Fabiana, que estava chegando à elite mundial, comemorar a quase classificação para a final da prova.
Em 2006, bateu o recorde sul-americano pela primeira vez, no Grand Prix de Belém, Pará, no Brasil: fez 4,55 m, marca que a colocava nas provas mais importantes do circuito. No mesmo ano fez 4,66 m no Super GP de Mônaco e ali se apresentou às adversárias de verdade. Hoje, Fabiana é dona de 19 recordes sul-americanos, 9 ao ar livre (4,82 m/2009) e 10 em ginásio fechado (4,82 m/2010).
Venceu o Pan-Americano do Rio/2007 (4,50 m) – no Pan de Winnipeg/99 ficou em 8º e não foi para o Pan de Santo Domingo/2003. Ainda em 2007, foi sexta no Mundial de Osaka, em pista aberta, com 4,65 m. Disputou sua primeira Olimpíada em Pequim/2008. Chegou à competição em um bom momento e como candidata a medalha – afinal, tivera um bom início de temporada, com o bronze no Mundial Indoor de Valência (4,70 m). Mas foi prejudicada por uma situação totalmente inusitada: o sumiço de uma de suas varas no momento em que tentaria um salto mais alto. Deixou Pequim em 10º e frustrada.
Com Petrov e Isinbayeva
Nesse ponto, porém, Fabiana já estava na elite mundial. Não só treinava com Yelena Isinbayeva – foram várias clínicas no Brasil, na Itália e na Ucrânia, desde 2001, com Vitaly Petrov, que também passou a ser treinador da russa – como era amiga da saltadora. Muitas vezes viajaram juntas para competições na Europa. Até fizeram compras juntas.
“Ainda hoje, o Petrov ajuda com os meus treinos, como consultor da BM&FBovespa. No início, ele mudou tudo: do jeito que eu segurava na vara até a corrida – foi difícil até me adaptar e minha marca ficou em 3,70 m um tempão. Não conseguia sair disso. Mas agora ele corrige detalhes que podem fazer diferença, como a altura do quadril na hora de ultrapassar o sarrafo”, observa Fabiana. Na última clínica que fez com Fabiana no Brasil, em novembro de 2009, antes desta temporada indoor, Petrov disse que “Fabiana tem mais técnica que Isinbayeva, porque começou a treinar comigo antes e eu pude passar os ensinamentos para ela logo”. Dizia que Isinbayeva era mais forte e mais fria.
Em 2009, Fabiana ainda ficou frustrada com o quinto lugar (4,55 m) no Mundial de Atletismo de Berlim, na Alemanha. Dessa vez, foi traída por uma posição incorreta do colchão. Sua vara batia no colchão no momento em que ia para a elevação do corpo e o salto. Se não gostou do resultado em Berlim, foi prata na Final Mundial do Atletismo, com 4,60 m. Fechou o ano como vice-líder do ranking mundial, com 4,82 m, atrás apenas de Isinbayeva, que bateu o recorde mundial com 5,06 m.
Agora, Fabiana Murer fecha a temporada indoor em 2010 com o primeiro ouro feminino do Brasil em um Mundial, em Doha, além de mais duas medalhas de ouro e duas de prata em competições preparatórias na Europa.
O Clube de Atletismo BM&FBovespa tem patrocínio do Pão de Açúcar, Nike e Prefeitura de São Caetano. Fabiana ainda tem o patrocínio individual do Pão de Açúcar e da UCS.
Mais informações no site: www.bmfbovespa.com.br/atletismo
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RETORNO
Informação para a imprensa: Fabiana desembarca no Brasil, em São Paulo, no Aeroporto de Cumbica, nesta terça-feira (16/3), às 4h15, vinda de Frankfurt (ALE), pelo vôo TAM JJ 8071.
LOCAL DA COMUNICAÇÃO
Heleni Felippe (MTB 13.507), Jane Dias (MTB 11.730) e Juliana Leite


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